Trombose venosa cerebral: sintomas e exames

Postado em: 15/12/2025

A trombose venosa cerebral é uma condição neurológica pouco frequente, mas cujo conhecimento é de extrema importância por exigir detecção rápida e tratamento adequado para minimizar danos cerebrais. 

Este tema merece atenção especial porque os sintomas podem ser sutis ou confundidos com outras doenças.

Nos parágrafos seguintes, vamos entender o que é essa doença, como ela se manifesta, de que forma é feita sua investigação e como ela pode ser tratada com eficácia!

O que é a trombose venosa cerebral?

A trombose venosa cerebral (também chamada de trombose dos seios ou veias cerebrais) ocorre quando há formação de um coágulo sanguíneo nos seios venosos ou nas veias do cérebro, impedindo o fluxo normal de sangue e provocando aumento da pressão intracraniana, inchaço cerebral ou infarto venoso.

Embora seja uma causa pouco comum de acidente vascular cerebral, ela exige máxima atenção porque sua apresentação pode diferir dos AVCs arteriais clássicos

Quais sintomas a trombose venosa cerebral pode apresentar?

Os sintomas da trombose venosa cerebral variam de acordo com a localização do coágulo e o grau de envolvimento das veias ou seios durais. Os sinais mais comuns que merecem vigilância são:

  • Cefaleia de inicio novo ou piora de cefaleia pré-existente: em estudos, a dor de cabeça aparece em cerca de 89 % dos casos.
  • Convulsões ou crises epilépticas: um número significativo de pacientes com trombose venosa cerebral sofre convulsões aiguas, e em alguns casos, estado convulsivo. 
  • Alterações neurológicas focais: fraqueza ou dormência de um lado do corpo, alterações na fala, visão turva ou perda de visão, confusão mental e alteração do nível de consciência. 
  • Sinais de hipertensão intracraniana: náusea, vômito, papiledema (inchaço do nervo óptico), pulsação dos vasos na cabeça, piora ao deitar ou levantar.
  • É importante destacar que a cefaleia (dor de cabeça) pode ser o único sintoma no início, o que pode levar a atraso no diagnóstico. 

A pessoa pode ter um ou mais sintomas como esses.

Como é feito o diagnóstico da trombose venosa cerebral?

Estabelecer o diagnóstico de trombose venosa cerebral exige alta suspeição e exame de imagem adequado. Entre os procedimentos utilizados estão:

  • Tomografia computadorizada com venografia (CTV) ou ressonância magnética com venografia (MRV) para visualizar os seios e veias cerebrais e identificar o trombo. 
  • A ressonância magnética convencional, associada à venografia por contraste, é considerada excelente para definir o diagnóstico.
  • Em alguns casos, exames laboratoriais complementares como hemograma, coagulação, função renal e outros são solicitados para avaliar fatores de risco ou causa subjacente.

É importante saber que o exame de D-dímero tem utilidade limitada para excluir trombose venosa cerebral, especialmente se houver apenas cefaleia isolada.

A rapidez no encaminhamento para o exame de imagem faz diferença no tratamento e prognóstico.

Como é o tratamento da trombose venosa cerebral?

O tratamento da trombose venosa cerebral é bastante pautado em anticoagulação, com atenção multidisciplinar em unidade de terapia intensiva ou de neurovascular, conforme o quadro clínico. 

Após a fase aguda, a transição para anticoagulantes orais é avaliada individualmente em cada paciente, com duração variando de 3 a 12 meses ou mais, dependendo dos fatores de risco residuais.

Além disso, o monitoramento neurológico, o controle da pressão intracraniana, o tratamento de convulsões (se houverem), o suporte em unidade especializada e a investigação de causa subjacente também são partes integrantes do cuidado. 

Dúvidas frequentes sobre a trombose venosa cerebral 

A trombose venosa cerebral pode ser curada?

Sim. Com diagnóstico e tratamento precoces, o prognóstico é geralmente bom, embora dependa da extensão da lesão e da presença de fatores de risco. O tratamento adequado com anticoagulação reduz o risco de sequelas graves. 

Quais fatores de risco favorecem a trombose venosa cerebral?

Entre os fatores de risco estão trombofilias, uso de anticoncepcionais hormonais, gravidez ou puerpério, infecções, doenças autoimunes, câncer, desidratação e outras situações que favorecem a coagulação venosa. A investigação individualizada é fundamental para prevenção de recorrência. 

Quanto tempo dura o tratamento anticoagulante?

A duração do tratamento com anticoagulantes varia de acordo com cada caso. Em geral, pode ser de 3 a 12 meses em situações com fator de risco transitório e pode estender-se mais em casos com risco persistente ou recorrência. 

É possível prevenir a trombose venosa cerebral?

Sim. Manter um estilo de vida saudável, evitar desidratação, controlar doenças associadas (como doenças autoimunes ou câncer), evitar uso prolongado de estrogênios sem supervisão e acompanhar fatores de risco identificados ajudam na prevenção. A investigação médica regular também é importante. Esses cuidados não eliminam as chances de ter a trombose venosa cerebral, mas reduzem significativamente os riscos.

Conclusão

A trombose venosa cerebral é uma condição séria, mas tratável — desde que reconhecida a tempo. Caso suspeite desse quadro ou conheça alguém com sintomas compatíveis, busque ajuda médica imediatamente.

Se você teve trombose venosa cerebral, já recebeu o tratamento de urgência e agora precisa de acompanhamento neurológico, agende um horário com o Dr. Iago Navas e venha conversar no consultório em Pinheiros, SP!